segunda-feira, 1 de agosto de 2011

As vezes sinto-me no primeiro amanhecer da gênese.
Desconexa e troncha.
Arenosa e perene.
Nenhuma convenção parnasiana ou eclesiástica.
Tudo solto e laico.
Fio claro fabricador de sonhos.
Sem haicais ou sonetos.
Só rima fraca, rufar de penas.
Passarinho ao vento, coração de cheiros,
jogos florais e cerca de renda.
Quando aperta vou ao sebo.
Evoco Spinoza, Sartre, Rubem, Lacan.
Bato palmas e refresco-me com pomadas Cartesianas,
compressa de água mista,
lembrança do Calvário e Cristo lá,
com toda aquela dor lhe cobrindo as feições,
ainda dizia para perdoar que,
“eles não sabiam de nada”.
– Capaz! –
Oh, que homem mais único!
Por isso, tanta fresta de luz escorrendo no meu chão.
Deus é muito prático.
Desisto de esperar pela razão, e suas leis.
Molho a alma no riozinho da primeira causa, agora já estou no crepúsculo.
Nada suspende minha contenteza,
meu bem-dizer a vida e os dias que dei de sorrir
até doer, pelo que ando sentindo...

Zenilda Lua

Um comentário:

Wilson R. disse...

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Tudo muito lindo, como de costume. Você tem uma forte identidade literária, palpável e envolta num lirismo poderoso.
Fã!

Abraços.

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